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14 de agosto de 2007

Transporte Infoviário pode ser considerado o sexto modal de transporte

Por Olavo Tapajós

Tenho observado que este assunto vem despertando muita curiosidade nos meios acadêmicos e empresariais. Afinal de contas, a logística possui cinco modais de transportes consagrados mundialmente que são: transporte rodoviário, transporte hidroviário, transporte ferroviário, transporte aeroviário e transporte dutoviário. Estes modais se interligam criando as chamadas operações intermodais e multimodais. A intermodalidade é bastante usada no Brasil, enquanto que em outros continentes já é de praxe a operação multimodal. As operações multimodais têm como premissa básica combinar os diversos modais de transporte, utilizando um único documento que tem a prerrogativa de acompanhar a carga desde a sua origem até o seu destino final, enquanto que nas operações intermodais, cada modal tem o seu documento apropriado, reduzindo a velocidade das operações e aumentando os custos do processo logístico.

O transporte dutoviário talvez seja o menos conhecido pelas pessoas, porém suas operações se realizam através de dutos (tubulações), transportando cargas fluidas e em alguns momentos cargas sólidas (experiência já realizada através de cápsulas). Um grande exemplo de operações dutoviárias são as movimentações de petróleo e gás da Petrobras.

Sabe-se que o "duto" é a principal infra-estrutura do modal dutoviário. Diante dessa constatação, eu me pergunto, como são transportados os trilhões de "bits" nos canais de comunicação do processo logístico? Bom, antes de responder a questão colocada acima é importante falar um pouco do processo de comunicação. As CMCs (Comunicações Mediadas pelo Computador) estão transformando, rapidamente, o mundo em direção à "aldeia global" em contraste com o sistema de broadcast tradicional, que permite um tipo de comunicação de massa, unidirecional, com forte presença editorial de grandes corporações. Os processos comunicacionais que advêm destas conexões são personalizados e descentralizados. São inúmeros exemplos de CMCs, entre eles: as BBS (Bulletin Board Systems), o IRC (Internet Relay Chat), as listas e fóruns de discussão, os mundos de realidade virtual, clubes de interesse etc.

De um modo geral as CMCs convergem para a formação da internet, que é a rede das redes, a interconexão de diversas formas de CMC, a partir do compartilhamento de recursos tecnológicos e de um sistema comum de protocolos de trocas de informações. A WWW (World Wide Web) é o sistema que permite, a partir de uma linguagem de programação para formação de hipertextos (a HTML - hypertext markup language), a visualização gráfica, troca e navegação interativa sobre os conteúdos da internet e dos CMCs. Mas a utilização de uma tecnologia não é inócua de repercussões sociais, culturais, emocionais e mentais. As implicações sociais, por exemplo, são inúmeras. A partir da descentralização do controle da informação e do potencial para a participação igualitária das pessoas, independentemente de sua raça, cultura, moral, aparência física, cria-se um espaço, ao mesmo tempo anárquico e democrático.

As origens da internet e das CMCs são controversas. Como toda revolução no pensamento e na técnica, o seu surgimento e desenvolvimento se dão em diversas direções, muitas vezes opostas, outras complementares. Inicialmente, os conteúdos transmitidos eram científicos. Paralelamente fortaleceu-se a comunicação solidária e, por interesses diversos, surgiram redes de troca e compartilhamento de informações e experiências, sem um local físico de interação: as chamadas comunidades virtuais. São milhões de pessoas que se conhecem e interagem via internet sem, muitas vezes, jamais chegarem a se conhecer pessoalmente.

Porém, percebe-se um esforço muito grande em resolver as questões logísticas através de soluções em software livre, como um buscador corporativo - coisa que nem o Google tem- além de portais corporativos, consultoria web para cadeias de suprimentos além de "pacotes de software" homologados pela Receita Federal (Siscomex) para gestão de operadores portuários, gestão de exportação e de faturamento para recintos alfandegados; gestão de instalações portuárias alfandegadas; visualização gráfica de pátios de cargas e contêineres; além de monitoramento e rastreamento de veículos em tempo real, acabam sendo exemplos de interações cibernéticas logísticas.

A tecnologia da informação é fundamental para entender as complicadas cadeias de suprimento e de distribuição física. Os operadores logísticos não são meras transportadoras. Operam toda a inteligência da rede logística, da origem ao destino final. É nesse contexto que sugiro que se estabeleça o chamado "transporte infoviário", com a internet como a grande via, onde se "navega" transportando informação, utilizando como veículos as soluções web em TI, aliadas às novas tecnologias em telemática.

Finalizando, pode-se concluir que a eficiência, a eficácia e a efetividade no processo de coletar e distribuir informações logísticas de qualidade, reforçam a necessidade de formalizar o sexto modal logístico o "transporte infoviário".

Engenheiro civil Olavo Tapajós, doutorando no Programa de Planejamento de Transporte.

Fonte: Jornal do Commercio - AM

Luciana Granai

2 comentários:

Eliakim Coelho disse...

Muitos são os comentários sobre esse novo modal de transporte. Porém, esse novo conceito ainda está pouco difundido.
A contribuição desse novo modal para as atividades logísticas é de extrema importância, sendo que é através dele que são "transportadas" as informações necessárias para o correto fluxo da comunicação, tão importante no meio logístico. É nesse modal que está nosso futuro e nele a resolução da maioria dos gargalos logísticos exixtentes.
Vale ressaltar o exemplo das notas fiscais eletrônicas que prometem grandes benefícios como a redução da burocracia, problema este que assola nosso sistema de transporte, emperra processos e faz com que o tempo de entrega de mercadorias em alguns casos seja tão demorado.

Gilberto Campos disse...

Costumo dizer que (resumindo as definições clássicas de Logística), “Logística é o fluxo de mercadorias e informações”, já que atualmente uma das principais, e porque não a principal matéria-prima da Logística é a informação.
O conceito do modal infoviário vem exatamente de encontro com o exposto acima. Apesar de conceitualmente recente, na pratica já faz parte do cotidiano da Logística há algum tempo. O transporte e movimentação de informações, cada vez mais velozes, permitem que se tenha eficiência e eficácia dos processos logísticos.
É o futuro da Logística que está entrando pela porta da frete.